Nossa História: mais de 75 anos de judô, uma família, uma missão
- skyohara5
- 22 de jun.
- 3 min de leitura

Tudo começou em 1947, quando um jovem de 16 anos chamado Sethiro Namie pisou pela primeira vez em um tatami no bairro Cocuera, em Mogi das Cruzes. Ele não sabia, naquele momento, que estava fundando uma das tradições mais longevas do judô na cidade — e que três gerações de sua família carregariam esse legado até os dias de hoje.
A história da Associação Namie de Judô não começa em 2015. Ela começa muito antes, com uma família que fez do judô um modo de vida.
O início de uma tradição
Sethiro Namie aprendeu o judô ao lado de outros jovens de origem japonesa em Mogi das Cruzes, numa época em que a cidade já despontava como referência na modalidade. Aos 21 anos, conquistou a faixa preta — e não parou mais. Chegou ao 6º dan e construiu ao longo de décadas uma reputação que ultrapassou as fronteiras da cidade: o nome Namie se tornaria sinônimo de judô em toda a região.
Seus filhos Durval, Ricardo, Paulino e Carlos cresceram com o quimono como segunda pele. O judô foi imposto — mas a filosofia que o acompanha foi abraçada. Paulino e Ricardo, gêmeos idênticos, tornaram-se os grandes representantes dessa geração, destacando-se nos Jogos Regionais e Abertos por muitos anos, nas categorias leve e meio-leve.
A escolha de uma vida
Enquanto muitos jovens sonhavam com engenharia, direito ou medicina, Paulino Namie foi na contramão. Escolheu educação física — e nunca se arrependeu. Essa decisão lhe permitiu conciliar o trabalho com o judô de forma plena, transformando a paixão em vocação.
Em mais de três décadas como técnico, formou 40 faixas pretas. Descobriu e desenvolveu talentos que chegaram à seleção brasileira. E acumulou uma compreensão do judô que vai muito além da técnica: o tatami como escola de vida, de caráter, de cidadania.
Hoje, Kodansha de 7º dan — a maior graduação entre judocas de Mogi das Cruzes —, o Sensei Paulino Tohoru Namie carrega consigo tudo o que aprendeu com o pai e decidiu devolver à comunidade de uma forma muito concreta.

2015: o judô gratuito como missão
Em 2015, o Sensei Paulino fundou a Associação Namie de Judô com uma proposta que resume décadas de convicção: oferecer judô de qualidade, sem cobrar nada por isso. Com o apoio da Prefeitura de Mogi das Cruzes e afiliações à Federação Paulista de Judô (FPJ) e ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), a ANJ abriu suas portas para qualquer criança ou jovem da comunidade que quisesse entrar no tatami.
Não uma academia comercial. Uma associação — no sentido mais verdadeiro da palavra.
Um dojo, uma comunidade
Hoje, a ANJ funciona de segunda a sábado na Av. Pref. Carlos Ferreira Lopes, 540 — Vila Mogilar, com um time de senseis experientes que acompanha cada aluno de perto, do iniciante ao atleta competitivo.
Entre os alunos que passaram pela ANJ está Willian Lima, judoca que chegou ao pódio olímpico em Paris 2024. A história dele é a prova viva de que o tatami da Namie forma muito mais do que atletas — forma pessoas.

Os valores que guiam cada treino
Oito princípios orientam tudo o que acontece dentro do dojo: Cortesia, Coragem, Honestidade, Honra, Modéstia, Respeito, Autocontrole e Amizade. Eles não são decoração — são praticados diariamente, do cumprimento inicial ao encerramento de cada aula.
Acreditamos que um jovem que aprende a se curvar com respeito para o adversário aprende também a respeitar o mundo ao redor.
Uma porta sempre aberta
De Sethiro Namie, em 1947, até os jovens atletas que hoje representam Mogi das Cruzes em campeonatos estaduais e nacionais — a história da família Namie é a história do judô nesta cidade. E ela continua sendo escrita a cada treino.
Se você quer conhecer o judô, ou tem um filho ou filha que quer experimentar, nossa porta está aberta. O tatami espera por você.

Comentários